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Por que competimos?

Por que competimos?

Por que competir quando o resultado será mais facilmente alcançado por meio da colaboração?


A educação tradicional vem ao longo dos anos preparando pessoas dentro do modelo mental da competição, no qual se prega que vivemos em um mundo onde não há recursos para todos e, por isso, temos que vencer sozinhos, lutando contra os outros para acumular o máximo de riqueza possível. Paradoxalmente, quando acumulamos recursos, retiramos os mesmos de circulação, gerando estoques pessoais, o que aumenta, por sua vez, os custos de acesso a esses recursos, ampliando a exclusão dos que não podem “pagar”.


Na visão da cooperação, percebe-se que, ao colaborar, podemos gerar mais recursos do que individualmente somos capazes, aumentando o fluxo deles, reduzindo os custos de acesso e permitindo mais inclusão. Trata-se, então, de entender o paralelo da escassez e da abundância, reconhecendo como o segundo modelo mental nos oferece uma nova perspectiva, ou seja, juntos podemos construir muito mais.


Para criar uma cultura colaborativa, precisamos compreender quatros virtudes, segundo a proposta de Brotto: desapego, integridade, plena atenção e abertura para compartilhar. Vamos entender cada uma dessas virtudes!


Desapego

Desapegar é compreender que nem tudo na vida é como
queremos e que a melhor solução não é a de uma pessoa nem a de outra,
mas aquela que as pessoas são capazes de criar conjuntamente. A partir da
criação compartilhada, aumentam as chances de engajamento para que
uma determinada decisão seja colocada em prática e se colha os resultados
esperados.

Integridade

Passamos a maior parte do nosso tempo nos relacionando
profissionalmente e socialmente com pessoas. Na cultura colaborativa,
criamos um ambiente no qual somos respeitados como somos e nossa
essência pode aflorar, sem medo do julgamento do outro.


Plena Atenção

A presença é fundamental para percebermos que além de
cada pessoa, encontra-se o outro. Estar atento ao outro é criar a
possibilidade de assimilar e compreender as diferentes perspectivas sobre
uma mesma questão central, permitindo encontrar caminhos que podem
acelerar a jornada em busca de uma solução.


Abertura para compartilhar

Quando estamos abertos para compartilhar,
fomentamos a possibilidade de assimilar novas ideias e ampliar a nossa
visão de mundo, inspirando a construção de pontes entre todas as fronteiras
do conhecimento e experiência. Quando duas pessoas se encontram e
compartilham suas ideias, as mesmas são multiplicadas e saímos do
encontro com pelo menos duas ideias, além de vários insights que são
gerados a partir dessa união, permitindo assim florescer ideias muito mais
potentes.


Falar de colaboração restaura a dimensão do humano nas relações sociais e profissionais, organiza e sistematiza uma abordagem que favorece o despertar do que é mais genuíno nas pessoas, grupos e organizações, inspirando o desenvolvimento do “melhor” em cada indivíduo, ao invés do “ser melhor” que os outros. É encorajar nossa atuação colaborativa no cotidiano, contribuindo para a geração do bem-estar comum.


Colaborar é o caminho para gerar abundância, na qual o resultado é maior do que a contribuição individual e, para isso, exige um propósito comum que seja capaz de unir as diferenças. Na colaboração, pessoas passam a se desapegar, a ceder, em prol do propósito maior.


Reconhecer o outro é constatar que não estamos sozinhos enquanto compreendemos que somos diferentes e complementares, valorizando a experiência de cada um, buscando agregar novos conhecimentos. O que nos incomoda individualmente não é a diferença, mas o que de fato não conseguimos aceitar.


Tudo o que nós vemos e observamos é filtrado por nossa lente, por nossa experiência pessoal, carregado de crenças pessoais. Para as ciências da mente, tudo que experimentamos resulta da perspectiva de cada um. Mesmo em um mundo onde a informação está disponível a quase todos e nos conectamos por redes sociais com milhares de pessoas, as experiências pessoais ainda são limitadas às nossas escolhas, reforçadas por algoritmos que nos mantém sintonizados com o que preferimos, criando uma bolha que impede a ampliação da visão de mundo.


Por essa razão, percebemos uma acentuada dualidade, onde cada um acredita em um mundo real para si mesmo, criando várias realidades paralelas. Quando compreendemos que toda opinião é uma visão carregada de história pessoal, compreendemos também que, em todo julgamento, estamos falando mais sobre nós mesmos do que do outro.

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